Moody’s mantém classificação da dívida francesa, mas perspetiva continua negativa
Agência de notação financeira não alterou a avaliação de França, apesar das expectativas de um possível corte, e condiciona a manutenção da nota à redução do défice e à moderação dos custos de financiamento

A agência de notação financeira Moody’s decidiu não alterar a classificação da dívida pública de França, mantendo a nota Aa3 com perspetiva negativa. A decisão, divulgada a 24 de Outubro de 2026, surge num contexto de discussão parlamentar do orçamento para 2027 e de preocupações com a situação das finanças públicas francesas.
Os analistas esperavam uma descida da classificação, que aproximaria a avaliação da Moody’s dos níveis atribuídos por outras agências internacionais, nomeadamente a Fitch e a Standard & Poor’s (S&P). Contudo, a agência optou por não anunciar qualquer acção de notação de crédito nesta avaliação.
A manutenção da classificação assenta na expectativa de que o Governo francês consiga aprovar um orçamento para 2027 que permita reduzir o défice público. A Moody’s considera igualmente, segundo a informação divulgada, que os custos de financiamento e as tensões sociais deverão moderar-se nos próximos meses.
A agência esclareceu, contudo, que a sua publicação não representa uma decisão formal de alteração da classificação, nem constitui um indicador da probabilidade de uma nova avaliação num futuro próximo.
A nota Aa3 corresponde, na escala da Moody’s, a uma classificação de qualidade de crédito elevada, embora sujeita a riscos. A perspetiva negativa indica que permanecem factores que poderão pressionar a avaliação financeira do país.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, reagiu à decisão, considerando que esta contraria as previsões mais pessimistas sobre a evolução da classificação da dívida pública.
A decisão da Moody’s ocorre numa fase em que as contas públicas francesas estão sob escrutínio, com o orçamento de 2027 a constituir um dos principais desafios políticos e económicos do Governo.
A manutenção da nota não elimina, porém, as preocupações relacionadas com a trajectória do défice, o peso dos encargos financeiros e a capacidade das autoridades para implementar medidas de consolidação orçamental.
A evolução da classificação da dívida francesa dependerá, entre outros factores, da aprovação e execução do orçamento, da redução efectiva do défice e do comportamento dos custos de financiamento.
A perspetiva negativa mantém a pressão sobre o Governo para demonstrar que consegue estabilizar as finanças públicas, num contexto em que as decisões orçamentais também podem influenciar o debate político e social em França.






