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Fabricantes disputam contrato para fornecer comboios de alta velocidade à CP

O concurso para o fornecimento dos primeiros comboios de alta velocidade da CP entra numa…

Marcelino Gimbi3 min de leitura3 comentários

Fabricantes disputam contrato para fornecer comboios de alta velocidade à CP

O concurso para o fornecimento dos primeiros comboios de alta velocidade da CP entra numa fase decisiva com o encerramento, este sábado, do prazo para apresentação das candidaturas de pré-qualificação. O contrato prevê a aquisição de 12 comboios capazes de atingir velocidades até 300 km/h, com opção para mais oito unidades, num investimento máximo de 584 milhões de euros.

Além do fornecimento das composições, o concurso inclui peças sobresselentes e serviços de manutenção durante os primeiros 24 meses. A entrega do primeiro comboio está prevista para o primeiro trimestre de 2031, seguindo-se as restantes unidades até ao terceiro trimestre de 2032.

Para participar, os fabricantes devem comprovar experiência na produção e manutenção de comboios de alta velocidade em operação comercial na Europa, capazes de circular a pelo menos 300 km/h. Este requisito limita o número de concorrentes elegíveis e favorece empresas com plataformas já consolidadas no mercado.

Outro dos principais desafios é a adaptação à bitola ibérica (1.668 milímetros), utilizada na rede ferroviária portuguesa. Apesar de a União Europeia privilegiar a bitola standard nas novas linhas, Portugal obteve uma derrogação até 2040 para garantir a compatibilidade entre a futura rede de alta velocidade e a infraestrutura ferroviária existente.

Entre os fabricantes apontados como favoritos está a francesa Alstom, que já venceu o concurso para fornecer 153 novos comboios regionais e urbanos à CP. A empresa dispõe de modelos como o Avelia Horizon e o Avelia Stream, embora ambos possam necessitar de adaptações para responder às especificações do concurso português.

A alemã Siemens Mobility surge igualmente entre as potenciais candidatas, com destaque para as plataformas Velaro Novo e Velaro MS. No entanto, a versão mais recente ainda não opera comercialmente, o que poderá representar uma desvantagem face aos critérios definidos pela CP.

Também a espanhola Talgo é apontada como forte concorrente, graças ao modelo Avril, que já circula na rede da Renfe e oferece versões compatíveis com bitola ibérica e europeia. Apesar dessa vantagem técnica, a empresa enfrenta críticas devido aos atrasos registados nas entregas à operadora espanhola e a vários problemas de fiabilidade identificados desde a entrada em serviço das composições.

Outra empresa com potencial para disputar o contrato é a japonesa Hitachi Rail, que possui presença em Portugal através de um Centro de Excelência de Mobilidade e comercializa o modelo ETR 1000 (Frecciarossa), atualmente em operação em Itália e Espanha.

Após a fase de qualificação, todos os fabricantes que cumpram os requisitos técnicos e financeiros serão convidados a apresentar propostas finais, dispondo de 90 dias para o fazer.

Na avaliação das propostas, o preço terá o maior peso, representando 25% da classificação final. Serão igualmente considerados fatores como os custos de manutenção, eficiência energética, desempenho técnico e capacidade de passageiros, sendo valorizadas composições com lotação superior a 500 lugares.

Ao contrário de concursos anteriores da CP, este processo não impõe requisitos de incorporação industrial em Portugal, permitindo que os comboios sejam produzidos integralmente no estrangeiro.

Os primeiros serviços de alta velocidade deverão entrar em funcionamento entre 2031 e 2032, na futura linha Porto–Lisboa, reduzindo o tempo de viagem entre as duas cidades para cerca de 1 hora e 15 minutos.

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