Executivo reconhece existência de elevado número de angolanos ainda por alfabetizar
A secretária de Estado para o ensino Secundário, Soraya Kalongela, reconheceu nesta terça-feira, em Luanda,…

A secretária de Estado para o ensino Secundário, Soraya Kalongela, reconheceu nesta terça-feira, em Luanda, haver ainda no país, pessoas analfabetas, ao afirmar que “continuamos a ter cidadãos que nunca frequentaram a escola, jovens e adultos que precisam de uma segunda oportunidade para aprender”.
A governante, que falava na cerimónia de abertura do seminário nacional de Formação e Capacitação de Quadros da Educação de Jovens e Adultos que decorre de 7 a 11 de Setembro, na capital do país, começou por reconhecer que o processo de alfabetização no país tem vindo a registar marcos importantes com a redução do número de pessoas sem qualquer nível de escolarização.
Soraya Kalongela, que discursou em representação da ministra Érica de Carvalho, discorreu sobre o início do processo de alfabetização em Angola, quando há 50 anos o primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, lançou a campanha Nacional de Alfabetização, num acto que, segundo fez saber, transformou a educação como verdadeira causa nacional.
“Naquele momento, alfabetizar significava muito mais do que ensinar a ler e a escrever. Significava libertar, integrar e construir cidadania, dando aos cidadãos instrumentos para participarem na construção da nova nação. Milhares de angolanos, professores, estudantes, trabalhadores, militares, igrejas, organizações sociais, famílias e comunidades mobilizaram-se em torno dessa grande causa”, disse.
Referiu ainda que Angola expandiu significativamente a sua rede de educação, aumentou o número de professores e educadores, ampliou as oportunidades de escolarização, consolidou diferentes subsistemas e modalidades de ensino e fortaleceu políticas públicas de alfabetização e educação dos jovens e adultos.
Fruto disto, acrescentou, os resultados do Censo Geral da População e da Habitação 2024 mostram que 72,6% da população com 15 anos ou mais sabe ler e escrever contra 65,6% em 2014, ao contrário de 1976, quando o país tinha cerca de 15% da sua população alfabetizada.
“É um progresso que devemos reconhecer, mas sem ignorar que os desafios ainda persistem. Continuamos a ter cidadãos que nunca frequentaram a escola, jovens e adultos que precisam de uma segunda oportunidade para aprender, concluir a sua escolaridade e adquirir competências que lhes permitam participar plenamente na sociedade”, afirmou.
Ao balancear os 50 anos de Independência no sector da alfabetização, Soraya Kalongela usou as palavras reconhecimento e responsabilidade, por entender que “a dimensão que a alfabetização e a educação dos jovens e adultos alcançaram nos últimos anos não teria sido possível sem a conjugação do esforço entre o Estado, a sociedade civil, as profissões religiosas, o sector privado, os parceiros de cooperação”.






