Atrasos e falhas na divulgação dos exames deixam centenas de alunos sem nota
As pautas dos exames nacionais do ensino secundário chegaram às escolas portuguesas apenas na noite…

As pautas dos exames nacionais do ensino secundário chegaram às escolas portuguesas apenas na noite de sexta-feira, após várias horas de atraso, deixando centenas de estudantes sem conhecer a classificação obtida. Em vez da nota, muitos alunos encontraram a indicação “em suspenso”, sinalizando que o processo de classificação ainda não estava concluído.
Perante a situação, diversas escolas secundárias abriram excecionalmente este sábado para permitir que alunos e encarregados de educação consultassem os resultados, que também ficaram disponíveis nas plataformas digitais utilizadas pelos estabelecimentos de ensino.
O Ministério da Educação anunciou que prestaria esclarecimentos durante o dia de sábado, enquanto atribuiu ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) a responsabilidade por explicar as causas dos atrasos e resolver os casos pendentes.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que as escolas tinham o dever de disponibilizar as classificações na sexta-feira, mas reconheceu que o processo de associação das provas aos respetivos alunos, após a fase de anonimização, exigiu mais tempo, sobretudo nos estabelecimentos com maior número de exames.
Inicialmente previstas para 14 de julho, as classificações dos exames nacionais foram adiadas para 17 de julho devido a dificuldades no processo de correção das provas, que este ano decorreu, pela primeira vez, em formato totalmente digital.
Numa comunicação enviada às escolas, o Júri Nacional de Exames e o EduQA informaram que algumas provas permaneceriam sem classificação devido a falhas técnicas, sendo identificadas nas pautas com a indicação “em suspenso”. As autoridades garantiram que seriam emitidas novas orientações para regularizar essas situações.
Os constrangimentos afetaram igualmente os alunos do 9.º ano. As escolas foram informadas de que as pautas das provas finais de Português e Matemática não seriam divulgadas na sexta-feira, devido aos atrasos registados na classificação dos exames.
A publicação desses resultados foi adiada, prolongando a incerteza para milhares de estudantes e respetivas famílias.
Na sequência da polémica, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República para apurar responsabilidades relacionadas com o processo de classificação dos exames nacionais.
Segundo o secretário-geral da organização sindical, José Feliciano Costa, além de eventuais responsabilidades políticas e técnicas, poderão existir indícios de irregularidades suscetíveis de enquadramento criminal. O dirigente acusou ainda as autoridades de terem exigido aos professores a correção de provas sem que dispusessem de todos os elementos necessários para o fazerem com segurança.
As dificuldades agora registadas recordam os problemas detetados no projeto-piloto realizado no ano anterior com o exame nacional de Filosofia, corrigido integralmente em formato digital.
Na altura, professores classificadores denunciaram falhas como desaparecimento de exames da plataforma, respostas incompletas ou trocadas e dificuldades técnicas durante a avaliação.
Além disso, vários docentes relataram falta de apoio técnico durante o processo, afirmando que tiveram de concluir a classificação das provas sem orientações suficientes para resolver os problemas encontrados.
A Fenprof sustenta que os alertas feitos após essa experiência não foram devidamente considerados, defendendo que as falhas agora verificadas demonstram insuficiente preparação na implementação do novo sistema digital de correção dos exames nacionais.






