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Presidente sérvio renuncia ao cargo e prepara candidatura a primeiro-ministro

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Presidente sérvio renuncia ao cargo e prepara candidatura a primeiro-ministro

Aleksandar Vučić deixou a Presidência da Sérvia para assumir a liderança do Partido Progressista Sérvio (SNS) nas eleições legislativas antecipadas de 25 de outubro. A decisão ocorre num período marcado por fortes protestos e crescente contestação ao Governo.

O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, anunciou no domingo, 27 de setembro, a sua renúncia ao cargo para se candidatar a primeiro-ministro nas eleições legislativas antecipadas. A Constituição da Sérvia impede-o de disputar um terceiro mandato presidencial, cujo atual período terminaria em maio de 2027.

A saída da Presidência acontece depois de quase dois anos de manifestações no país. Os protestos ganharam força após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, em novembro de 2024, tragédia que provocou 16 mortes. O movimento estudantil passou então a exigir responsabilidades, justiça e medidas contra a corrupção.

Vučić, que ocupa posições de liderança política na Sérvia desde 2012, pretende agora liderar o SNS na disputa eleitoral. Apesar de o cargo de primeiro-ministro possuir formalmente maiores poderes executivos do que a Presidência, Vučić manteve uma influência política central durante os seus mandatos presidenciais.

Eleições acontecem em ambiente de forte contestação

A campanha eleitoral decorre num cenário de elevada tensão política. Um movimento apoiado por estudantes universitários prepara-se para participar no processo eleitoral, depois de meses de mobilização contra o Governo e de reivindicações relacionadas com o Estado de direito e o combate à corrupção.

Nas últimas semanas, Vučić percorreu várias regiões do país em atividades de campanha e encontros com eleitores. O BIRODI, Gabinete Independente para a Investigação Social, apresentou uma queixa alegando que o então presidente utilizou uma instituição pública para promover o seu partido. Vučić rejeitou a acusação e, segundo a fonte, as autoridades anticorrupção ainda não se pronunciaram sobre o caso.

Com a renúncia, a Presidência interina passa para Ana Brnabić, antiga primeira-ministra e então presidente do Parlamento sérvio, aliada política de Vučić. A eleição presidencial deverá ocorrer posteriormente, dentro do prazo constitucional indicado pelo antigo chefe de Estado.

Oposição acusa Governo de limitar liberdades

O SNS e Vučić enfrentam acusações de corrupção, ligações ao crime organizado e limitações às liberdades democráticas, incluindo restrições dirigidas a meios de comunicação críticos. O partido e o Governo rejeitam acusações de abuso de poder e afirmam combater a corrupção.

A candidatura apoiada pelo movimento estudantil reúne professores, especialistas, atletas e outras personalidades de diferentes áreas da sociedade. Os estudantes têm realizado ações de mobilização em várias regiões, incluindo deslocações de bicicleta, defendendo o respeito pelo Estado de direito e medidas de combate à corrupção.

Segundo análises citadas pela fonte, a disputa eleitoral poderá ser marcada por forte competitividade entre o bloco associado a Vučić e o movimento apoiado pelos estudantes. A corrida inclui ainda outros partidos, entre eles o Partido Socialista, uma aliança de oposição favorável à União Europeia e várias formações menores.

Antes de deixar a Presidência, Vučić anunciou também a concessão de perdão a 49 pessoas, entre as quais 23 envolvidas em processos relacionados com alegados crimes cometidos durante os protestos. O antigo presidente afirmou ainda que pretende continuar a percorrer o país para ouvir os cidadãos e defender o trabalho realizado durante o seu período de governação.

As autoridades sérvias têm sido acusadas de responder aos protestos com violência policial e detenções. Vučić, por sua vez, acusa os opositores e meios de comunicação críticos de tentarem desestabilizar o Estado com influência estrangeira, alegações que, segundo o texto de origem, foram apresentadas sem provas.

A trajetória europeia da Sérvia também permanece sob pressão. O processo de adesão à União Europeia enfrenta obstáculos associados, entre outros fatores, às críticas sobre o recuo democrático e à posição de Belgrado relativamente às sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia.

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