Governo português prevê pagar 30 milhões de euros em horas extraordinárias aos professores

O Ministério da Educação deverá desembolsar cerca de 30 milhões de euros em horas extraordinárias realizadas por professores durante este ano letivo. O ministro Fernando Alexandre revelou ainda que permanecem por preencher 664 horários docentes, dos quais 408 correspondem a horários completos, com a maior concentração na região de Lisboa.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou esta terça-feira, em Lisboa, que o Governo prevê gastar aproximadamente 30 milhões de euros com horas extraordinárias prestadas por professores.
Segundo o governante, estas horas adicionais têm permitido assegurar a continuidade das aulas em muitas escolas portuguesas, num contexto marcado pela falta de docentes em determinadas regiões e níveis de ensino.
Fernando Alexandre explicou que, a partir deste ano letivo, o sistema de informação do Ministério da Educação passou a permitir relacionar as horas extraordinárias com as aulas efetivamente lecionadas. Desta forma, o pagamento será feito apenas quando existir correspondência com os respetivos sumários.
Apesar dos progressos na colocação de professores, continuam por preencher 664 horários em todo o país. Deste total, 408 são horários completos, representando cerca de 61%.
A situação é particularmente concentrada na Grande Lisboa. De acordo com os dados apresentados pelo ministro, cerca de 305 dos 408 horários completos por preencher estão nesta região, abrangendo zonas como Lisboa, Amadora e Loures.
O 1.º Ciclo do Ensino Básico é outro dos setores mais afetados, com 238 horários por preencher.
Fernando Alexandre considerou que a falta de professores não se manifesta de forma uniforme em todo o território nacional. Segundo o ministro, enquanto determinadas regiões enfrentam dificuldades significativas, existem professores profissionalizados no Norte e no Centro que não estão disponíveis para se deslocar para a região de Lisboa.
O Governo tem adotado medidas específicas para tentar responder ao problema, incluindo apoios à deslocação dos docentes. No ano letivo 2025/2026, cerca de 7.122 professores beneficiaram desses apoios, dos quais 3.796 receberam majorações.
Além das dificuldades imediatas no preenchimento dos horários, o sistema educativo português enfrenta um problema estrutural relacionado com o envelhecimento da classe docente.
O Ministério da Educação estima que cerca de quatro mil professores se reformem nos próximos anos. As necessidades acumuladas de recrutamento poderão atingir cerca de 20 mil docentes até 2029/2030 e aproximadamente 39 mil até 2034/2035.
Os dados apresentados apontam ainda para uma classe docente envelhecida: 66% dos professores têm mais de 50 anos, enquanto apenas uma pequena parcela pertence às faixas etárias mais jovens.
Para contrariar esta tendência, o Governo tem apostado na formação e atração de novos profissionais. Entre as medidas estão a atribuição de bolsas a estudantes de cursos de Educação Básica e mestrados de ensino, bem como programas de apoio à formação de futuros professores.
No ano letivo 2025/2026, o Ministério da Educação afirma ter conseguido atrair 6.543 docentes para a escola pública, incluindo profissionais provenientes do Ensino Superior e investigadores doutorados.
As declarações de Fernando Alexandre foram feitas durante a apresentação do relatório “Education at a Glance 2026”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), realizado no Teatro Thalia, em Lisboa.
O relatório identifica a escassez de professores como uma das principais preocupações dos sistemas educativos e aponta, no caso português, para desafios relacionados com o envelhecimento da classe docente, a dificuldade de entrada de jovens profissionais e questões associadas às condições da carreira.






