“Da paz em África à reforma da ONU: João Lourenço procura reforçar peso de Angola no palco mundial”
Presidente Angolano usa tribuna da ONU para defender maior protagonismo de África

Nova Iorque — O Presidente de Angola, João Lourenço, tem utilizado as suas intervenções na Assembleia Geral das Nações Unidas para apresentar as prioridades da diplomacia angolana, com destaque para a paz em África, a reforma das instituições multilaterais e a criação de melhores condições de financiamento para os países em desenvolvimento.
Desde que assumiu a Presidência da República, em setembro de 2017, o chefe de Estado transformou a participação anual de Angola na ONU num dos principais espaços de projeção da política externa do país.
A promoção da paz e da estabilidade no continente africano tem ocupado uma posição central na mensagem diplomática apresentada por João Lourenço perante a comunidade internacional.
Entre as iniciativas destacadas está o envolvimento de Angola nos esforços de mediação do conflito no leste da República Democrática do Congo, através do chamado Processo de Luanda, desenvolvido no âmbito da União Africana.
Nas suas intervenções, o Presidente angolano tem defendido que os países africanos precisam de maior apoio internacional para garantir operações de manutenção da paz. A posição inclui a defesa de mecanismos de financiamento mais previsíveis e sustentáveis sob a responsabilidade das Nações Unidas.
João Lourenço também tem manifestado oposição às mudanças inconstitucionais de Governo, condenando a sucessão de golpes militares registados em diferentes países do Sahel e da África Ocidental.
Reforma do Conselho de Segurança no centro da agenda
Outro tema recorrente na diplomacia de João Lourenço é a reforma da estrutura de governação mundial.
O Presidente angolano considera que o atual formato do Conselho de Segurança da ONU já não corresponde à realidade internacional e defende uma presença permanente de África naquele órgão.
A posição de Angola está alinhada com o Consenso de Ezulwini, que reivindica para o continente africano representação permanente no Conselho de Segurança, incluindo o direito de veto.
Na perspetiva apresentada pelo chefe de Estado, a ausência de África dos principais centros de decisão internacional constitui uma das limitações do atual sistema multilateral.
A mesma preocupação é estendida ao sistema financeiro internacional, com Angola a defender maior equilíbrio no acesso ao financiamento e condições mais favoráveis para os países em desenvolvimento.
Combate à corrupção e diversificação económica
A política interna de Angola também tem ocupado espaço nas intervenções presidenciais na ONU.
Nos primeiros anos do seu mandato, João Lourenço colocou o combate à corrupção e à impunidade entre as principais prioridades do Governo, apresentando reformas legislativas e administrativas como instrumentos para melhorar a governação e aumentar a confiança dos investidores.
A diversificação da economia, reduzindo a dependência do petróleo, surge igualmente como uma das prioridades apresentadas pela diplomacia angolana.
Nesse contexto, o país procura atrair investimentos e parcerias para áreas como energia, infraestruturas rodoviárias, abastecimento de água e agricultura.
Dívida, clima e financiamento ao desenvolvimento
A questão da dívida dos países africanos também tem sido abordada por João Lourenço nas Nações Unidas.
O Presidente angolano tem defendido medidas de alívio e reestruturação da dívida soberana, argumentando que a redução do peso do serviço da dívida permitiria aos Estados canalizar mais recursos para setores sociais, nomeadamente saúde e educação.
Na área ambiental, Angola reafirma o compromisso com a transição energética e com os objetivos estabelecidos pelo Acordo de Paris.
Ao mesmo tempo, João Lourenço tem chamado a atenção para a necessidade de os países desenvolvidos cumprirem os compromissos assumidos no financiamento climático destinado às nações em desenvolvimento.
Diplomacia angolana mantém posições sobre conflitos internacionais
No plano geopolítico, Angola tem apresentado posições sobre diferentes crises e conflitos internacionais.
Entre as matérias defendidas pela diplomacia angolana estão o levantamento do embargo económico a Cuba, a retirada das sanções aplicadas ao Zimbábue e o respeito pela integridade territorial dos Estados.
A posição oficial também aborda a guerra na Ucrânia e a necessidade de preservar o princípio da soberania e da integridade territorial.
Relativamente ao Médio Oriente, Angola mantém a defesa de uma solução baseada na criação de dois Estados como caminho para uma paz duradoura na região.
Angola procura afirmar-se no cenário internacional
A presença de João Lourenço na Assembleia Geral das Nações Unidas tem permitido a Angola apresentar simultaneamente as suas prioridades nacionais e a visão do país sobre questões regionais e internacionais.
A diplomacia angolana procura, desta forma, combinar a defesa da paz no continente, a reivindicação de maior representação de África nas instituições multilaterais, a atração de investimento e a defesa de melhores condições de financiamento para os países em desenvolvimento.
A estratégia apresentada nas intervenções do Presidente coloca Angola como um dos países africanos que procuram assumir maior participação nos debates sobre a reforma da governação internacional e a resolução de conflitos no continente.






