Grupo Carrinho reforça presença no sector financeiro com acordo para aquisição de participação no BFA
Conglomerado angolano acordou a compra dos 33,35% detidos pelo Banco BPI no Banco de Fomento…

Conglomerado angolano acordou a compra dos 33,35% detidos pelo Banco BPI no Banco de Fomento Angola. Operação ainda depende de autorizações regulatórias e poderá alterar significativamente o equilíbrio do sector bancário nacional.
O Grupo Carrinho poderá reforçar significativamente a sua presença no sistema financeiro angolano, depois de a sua subsidiária Congolian Financial, S.A. (CFSA) ter chegado a um acordo com o Banco BPI para adquirir a totalidade da participação de 33,35% que a instituição portuguesa detém no Banco de Fomento Angola (BFA).
De acordo com informações divulgadas no início de Setembro, a concretização da operação continua dependente do cumprimento de várias condições legais e regulatórias.
Entre os procedimentos necessários estão a não oposição do Banco Nacional de Angola (BNA), a apreciação da Comissão do Mercado de Capitais (CMC) sobre uma eventual obrigatoriedade de lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) e o eventual exercício do direito de preferência previsto para a Unitel no acordo parassocial relacionado com o BFA.
O negócio envolve uma componente fixa de 345 milhões de euros, a pagar no momento da conclusão da transacção. Está igualmente prevista uma parcela diferida de aproximadamente 43,5 milhões de euros, bem como uma componente variável associada aos dividendos do BFA referentes ao exercício de 2026. Os pagamentos diferidos estão previstos para Maio de 2027.
A eventual entrada da Carrinho como detentora de uma participação de 33,35% no BFA representa mais um passo na estratégia de expansão do conglomerado angolano para o sector financeiro.
Nos últimos anos, o grupo, conhecido inicialmente pela sua actividade no sector alimentar e agro-industrial, expandiu os seus negócios para diferentes áreas da economia, incluindo logística, indústria e serviços financeiros.
A presença da Carrinho na banca começou a ganhar maior expressão em Dezembro de 2021, com a aquisição do Banco de Comércio e Indústria (BCI).
Em Agosto de 2024, a Autoridade Reguladora da Concorrência autorizou uma operação que permitiria ao conglomerado assumir o controlo do Banco Keve, embora o processo estivesse igualmente sujeito aos procedimentos e autorizações das entidades competentes do sector bancário.
Já em 2025, através da Congolian Financial, o grupo adquiriu uma participação de 7,61% no capital do BFA.
Posteriormente, essa posição accionista foi transferida para o fundo AXIOS. Com essa operação, a participação passou a integrar a estrutura do fundo, que passou a deter uma posição qualificada no capital e nos direitos de voto do BFA.
A reorganização permitiu à Congolian Financial deixar de constar directamente como accionista do banco, mantendo, contudo, uma exposição económica através das unidades de participação recebidas no fundo.
Com a eventual aquisição dos 33,35% anteriormente detidos pelo BPI, o Grupo Carrinho poderá tornar-se num dos principais intervenientes da estrutura accionista do BFA, um dos maiores bancos do país.
A expansão do conglomerado no sistema financeiro não se limita ao sector bancário.
A Prospectum Capital, empresa ligada ao Grupo Carrinho e dedicada à intermediação financeira, tem vindo igualmente a aumentar a sua presença no mercado de capitais angolano.
Dados referentes a 2025 indicam que a instituição alcançou uma posição de destaque entre os operadores do mercado, com um volume significativo de transacções.
O crescimento da Prospectum ocorre num período de maior dinamismo do mercado de capitais angolano, marcado pela entrada de novos investidores e por operações relacionadas com a privatização e negociação de participações em importantes empresas nacionais.
A expansão do Grupo Carrinho no BCI, no Banco Keve, no BFA e no mercado de capitais através da Prospectum está a alimentar o debate sobre o nível de concentração que poderá surgir no sistema financeiro angolano.
Analistas e observadores têm chamado a atenção para a necessidade de as autoridades reguladoras acompanharem a evolução destas operações, especialmente devido à importância que os bancos desempenham no financiamento da economia, na gestão das poupanças e na concessão de crédito.
A preocupação está relacionada, sobretudo, com a possibilidade de uma concentração excessiva de instituições financeiras sob a influência de um mesmo grupo empresarial, situação que poderia aumentar os riscos para o sistema em caso de dificuldades financeiras.
Ao mesmo tempo, a presença de grupos empresariais fortes no sector financeiro pode contribuir para o aumento da capacidade de investimento e para o financiamento de grandes projectos económicos.
O desafio para as autoridades será garantir que o crescimento dos grandes conglomerados decorra dentro das regras de concorrência, transparência, estabilidade financeira e boa governação.
Outro ponto que tem sido levantado no debate público está relacionado com a dimensão dos investimentos realizados pelo Grupo Carrinho nos últimos anos.
As operações de aquisição e expansão no sector bancário envolvem centenas de milhões de dólares. A estes valores somam-se os investimentos efectuados pelo conglomerado noutras áreas, incluindo projectos industriais de grande dimensão.
O crescimento acelerado do grupo transformou a Carrinho, que começou a sua actividade ligada à produção e comercialização de produtos alimentares, num dos maiores conglomerados privados angolanos.
Embora as empresas privadas não sejam obrigadas a divulgar publicamente toda a sua informação financeira, especialistas defendem que uma maior transparência pode contribuir para reforçar a confiança dos investidores, dos clientes e do mercado.
Informações sobre resultados financeiros, fontes de financiamento, capacidade de investimento e estrutura empresarial tornam-se particularmente relevantes à medida que um grupo privado aumenta a sua presença em sectores considerados estratégicos para a economia nacional.
Por enquanto, a aquisição dos 33,35% do BFA pela Congolian Financial ainda não está concluída.
A operação deverá passar pelo escrutínio das entidades reguladoras competentes e pelo cumprimento das condições estabelecidas entre as partes envolvidas.
Caso seja concretizada, a transacção poderá representar uma das mais importantes alterações recentes na estrutura accionista do sistema bancário angolano e consolidar o Grupo Carrinho como um dos principais conglomerados privados com presença simultânea na indústria, logística, banca e mercado de capitais.
A evolução do processo será acompanhada com atenção pelo mercado, sobretudo pelo impacto que a nova estrutura accionista poderá ter na concorrência, no financiamento empresarial e na configuração futura do sistema financeiro angolano.
Fonte: Maka Angola






