Ações da Unitel perdem quase 30% após entrada na BODIVA e levantam dúvidas sobre proteção dos investidores
Queda das ações da Unitel na BODIVA gera preocupação entre investidores

A cotação da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) registou uma queda significativa desde a entrada da empresa no mercado de capitais, em julho. A desvalorização tem levantado preocupações entre pequenos investidores e reacendeu o debate sobre a supervisão do mercado, a proteção dos investidores e as condições em que foi realizada a Oferta Pública de Venda (OPV).
As ações da Unitel começaram a ser negociadas na BODIVA a 29 de julho de 2026, com um preço de 40.040 kwanzas por ação. Segundo dados citados no artigo, a cotação caiu para pouco mais de 36 mil kwanzas no final de agosto e chegou aos 28 mil kwanzas no fecho de 24 de setembro.
A evolução representa uma desvalorização próxima dos 30% face ao preço inicial, situação que tem provocado preocupação entre investidores que participaram na OPV da operadora de telecomunicações.
O artigo, assinado por Rui Verde, estima que os cerca de 300 mil milhões de kwanzas aplicados pelos novos acionistas para adquirir uma participação de 15% na empresa tenham passado a representar aproximadamente 210 mil milhões de kwanzas, considerando a cotação registada em 24 de setembro.
Entre os principais motivos de preocupação estão os relatos de pequenos investidores que terão recorrido a empréstimos bancários ou vendido património para financiar a aquisição de ações, contando com uma valorização futura do investimento.
A queda da cotação terá colocado alguns desses investidores perante dificuldades para cumprir as obrigações financeiras assumidas. No entanto, estas situações e a dimensão do impacto entre os pequenos investidores carecem de confirmação independente e de dados oficiais.
O autor do artigo questiona também a atuação da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), depois de declarações atribuídas ao administrador executivo Vasco Januário sobre a importância da literacia financeira dos investidores. Para Rui Verde, a explicação baseada no conhecimento financeiro dos pequenos investidores não seria suficiente para justificar a dimensão da desvalorização registada.
O texto levanta ainda a possibilidade de existirem problemas relacionados com a formação do preço das ações, supervisão do mercado ou eventual manipulação de cotações. Estas hipóteses, contudo, são apresentadas como questões e não como factos comprovados.
Outro ponto levantado prende-se com o apagão que afetou a rede da Unitel em 28 de julho, um dia antes do início da negociação das ações. O autor considera que a realização da operação naquele contexto poderá ter criado dificuldades adicionais para os investidores na obtenção de informação e na tomada de decisões.
O artigo defende que a BODIVA e a CMC devem esclarecer as circunstâncias que envolveram a entrada da Unitel em bolsa e a posterior evolução da cotação, incluindo a existência de mecanismos destinados a limitar movimentos excessivamente bruscos dos preços.
A eventual existência de responsabilidade jurídica do Estado, da BODIVA ou da CMC é igualmente colocada em discussão no artigo. Qualquer responsabilização, contudo, dependeria de uma avaliação das autoridades competentes e de eventual decisão judicial.
A queda das ações da Unitel coloca, assim, em evidência questões sobre o funcionamento do mercado de capitais angolano, a proteção dos pequenos investidores e a necessidade de maior transparência na negociação de ativos cotados em bolsa.






