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UE e NATO reforçam coordenação após Alemanha atribuir incidente com drones à Rússia

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UE e NATO reforçam coordenação após Alemanha atribuir incidente com drones à Rússia

Bruxelas — A União Europeia e a NATO deverão intensificar a cooperação contra ameaças híbridas depois de a Alemanha ter responsabilizado oficialmente a Rússia por um incidente envolvendo drones no Aeroporto de Leipzig/Halle, ocorrido no início de agosto.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, deverão reunir-se em Bruxelas para analisar a resposta política e de segurança aos recentes episódios classificados por vários governos europeus como ações de guerra híbrida.

O encontro surge num contexto de crescente preocupação entre os países europeus com alegadas operações de sabotagem, incursões de drones, campanhas de desinformação e outras atividades destinadas a pressionar os Estados que apoiam a Ucrânia.

Von der Leyen defendeu uma resposta coordenada e afirmou que a União Europeia permanecerá unida perante o aumento das ameaças. Segundo a responsável europeia, incidentes deste género não poderão ficar sem consequências.

A reunião também deverá servir para aprofundar a cooperação entre as estruturas de defesa da União Europeia e da NATO, especialmente nas áreas de segurança aérea, proteção de infraestruturas críticas e prevenção de ataques híbridos.

Alemanha responsabiliza Moscovo

O governo alemão anunciou que considera a Rússia responsável pelo incidente registado no dia 4 de agosto no Aeroporto de Leipzig/Halle.

Segundo as autoridades alemãs, os métodos identificados durante as investigações apresentam características semelhantes às observadas anteriormente em operações atribuídas à Rússia e relacionadas com a guerra na Ucrânia.

Na sequência das conclusões anunciadas por Berlim, a Alemanha determinou o encerramento do consulado russo em Bona e da chamada Casa da Rússia, em Berlim.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, enquadrou o episódio numa série mais ampla de ações que, segundo Berlim, incluem desinformação, intimidação, sabotagem e tentativas de desestabilização em território europeu.

A Rússia rejeitou as acusações.

A embaixada russa na Alemanha classificou as alegações como infundadas e advertiu para possíveis consequências em resposta às medidas adotadas pelas autoridades alemãs.

Moscovo também criticou o facto de governos europeus terem atribuído responsabilidade à Rússia antes da conclusão definitiva das investigações.

Drones encontrados perto de aeronave ucraniana

O episódio que originou a atual tensão ocorreu no Aeroporto de Leipzig/Halle, onde um drone foi encontrado dentro da zona de segurança, nas proximidades de uma aeronave de carga ucraniana utilizada no transporte de material militar.

Posteriormente, um segundo aparelho não tripulado terá colidido com outra aeronave, dificultando a sua aterragem.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, já havia defendido uma resposta conjunta entre os países europeus e os aliados da NATO aos episódios considerados ataques híbridos.

Mark Rutte manifestou solidariedade com a Alemanha e afirmou que a Aliança Atlântica continuará a fortalecer as suas capacidades de defesa e dissuasão perante ameaças contra os Estados-membros.

A resposta europeia poderá incluir novas sanções contra Moscovo.

Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia deverão avaliar medidas adicionais, enquanto os governos procuram reforçar a segurança de aeroportos, redes energéticas, sistemas informáticos e outras infraestruturas estratégicas.

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considera que o número de incidentes híbridos está a aumentar e que o objetivo dessas ações seria reduzir o apoio europeu à Ucrânia através da intimidação.

Kallas reconheceu também que os países europeus terão de melhorar os seus mecanismos de prevenção e resposta.

Autoridades de países como Roménia, Letónia e Estónia também relataram recentemente episódios envolvendo violações de espaço aéreo ou outras ameaças relacionadas com drones.

Na Alemanha, engenhos explosivos improvisados foram igualmente encontrados nas proximidades de uma central elétrica a carvão, aumentando as preocupações sobre possíveis ataques contra infraestruturas críticas.

Vários líderes europeus demonstraram apoio à Alemanha após o anúncio das conclusões de Berlim.

O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou solidariedade com o governo alemão e apoiou a possibilidade de novas sanções europeias contra a Rússia.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sustentou que ações destinadas a criar divisões entre os aliados europeus deverão receber uma resposta conjunta.

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, também acusou Moscovo de contribuir para o aumento das tensões no continente.

Na Suécia, o primeiro-ministro Ulf Kristersson anunciou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional para analisar as recentes ameaças, enquanto o presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, defendeu medidas firmes contra qualquer ação considerada hostil.

Portugal também anunciou uma reação diplomática.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, informou que o embaixador da Rússia em Portugal será convocado para prestar esclarecimentos sobre o incidente atribuído pelas autoridades alemãs a Moscovo.

Segundo Rangel, Lisboa deverá igualmente analisar novas medidas relacionadas com segurança nacional, incluindo proteção cibernética e vigilância do espaço aéreo.

O caso de Leipzig aumenta assim a pressão sobre os governos europeus para reforçarem mecanismos comuns de defesa contra ameaças híbridas, numa altura em que a guerra na Ucrânia continua a provocar tensões políticas e militares entre a Rússia e os países ocidentais.

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