Diário IndependenteInformar com rigor e independência desde 2013
Última Hora
Angola

João Lourenço defende maior participação de África na ordem mundial

João Lourenço defendeu, nesta terça-feira, melhor diplomacia, reforma da ONU e maior participação de África na ordem mundial

Nova York5 min de leitura3 comentários

João Lourenço defende maior participação de África na ordem mundial
João Lourenço discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Yorque, EUA.

Por:

Presidente João Lourenço discursando na 81ª Assembleia Geral da ONU.

Nova Iorque — O Presidente da República de Angola, João Lourenço, defendeu esta terça-feira, 22 de Setembro, na tribuna da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o reforço do multilateralismo, uma reforma profunda do Conselho de Segurança e uma maior participação de África nos principais processos de decisão da comunidade internacional.

Sob o lema “Nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”, o Chefe de Estado angolano centrou a sua intervenção nos conflitos internacionais, na necessidade de reforçar o papel das Nações Unidas, no financiamento ao desenvolvimento e na reforma da arquitectura financeira internacional.

João Lourenço manifestou preocupação com o agravamento da situação de paz e segurança mundial, apontando para os conflitos na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e em África, bem como para o aumento das tensões na região da Ásia-Pacífico.

O Presidente angolano voltou a condenar o terrorismo e defendeu que os conflitos devem ser resolvidos através do diálogo e do respeito pelo Direito Internacional.

Angola reforça papel na promoção da paz

Na sua intervenção, João Lourenço destacou o contributo de Angola para a prevenção e resolução de conflitos em África, mencionando iniciativas realizadas em Luanda e o princípio de “soluções africanas para os conflitos africanos”.

O Chefe de Estado apelou igualmente à implementação efectiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança, defendendo um financiamento previsível e sustentável para as operações de apoio à paz lideradas pela União Africana e autorizadas pelas Nações Unidas.

Angola, afirmou, continuará disponível para contribuir para a resolução dos conflitos no continente.

Reforma do Conselho de Segurança

Um dos pontos centrais do discurso foi a defesa de uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

João Lourenço considerou necessário adaptar a estrutura do órgão à realidade internacional actual, defendendo uma representação permanente de África, América Latina e Ásia.

Angola reafirmou, neste contexto, o apoio ao Consenso de Ezulwini e à Declaração de Sirte, que constituem referências da posição comum africana sobre a reforma do Conselho de Segurança.

Para o Presidente angolano, a voz africana deve ser considerada nas decisões relativas à paz e segurança, financiamento ao desenvolvimento, alterações climáticas e governação mundial da inteligência artificial.

Desenvolvimento económico e dívida

A relação entre paz e desenvolvimento também ocupou parte significativa da intervenção.

João Lourenço defendeu maior acesso dos países africanos ao financiamento, alívio da dívida, transferência de tecnologia e maior participação nas instituições financeiras internacionais.

Segundo o Presidente, o elevado custo do serviço da dívida limita a capacidade dos países africanos de investir em sectores como saúde, educação e infra-estruturas, contribuindo para o agravamento das desigualdades económicas e sociais.

Perante este cenário, apelou à reforma da arquitectura financeira internacional, defendendo um sistema mais justo, democrático e orientado para o desenvolvimento.

Inteligência Artificial como instrumento de desenvolvimento

A transformação tecnológica foi outro dos temas abordados por João Lourenço, que defendeu que a inteligência artificial pode contribuir para melhorar sectores como educação, saúde, agricultura, investigação científica, serviços públicos e produtividade económica.

O Presidente considerou igualmente necessário reduzir o fosso digital, expandir as infra-estruturas públicas digitais, promover a formação e a inovação e reforçar a cibersegurança.

Defendeu ainda uma maior cooperação entre países do Norte e do Sul e entre os próprios países do Sul, para que a revolução digital seja utilizada como instrumento de desenvolvimento e inclusão.

Angola assinala 50 anos nas Nações Unidas

A intervenção ocorreu num ano de particular significado para Angola, que assinala os 50 anos da sua admissão como membro de pleno direito das Nações Unidas, em Dezembro de 1976.

João Lourenço recordou o percurso histórico do país, marcado pela Guerra Fria, pelos conflitos internos e, posteriormente, pelo alcance da paz em 2002.

O Presidente destacou também os esforços de reconciliação nacional e anunciou a inauguração, em Outubro, de um monumento em Luanda em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre a independência e o alcance da paz.

Cuba e os conflitos internacionais

Durante o discurso, João Lourenço voltou igualmente a defender o fim do embargo contra Cuba, considerando-o injusto e prejudicial ao povo cubano.

Sobre os conflitos no Médio Oriente, condenou as mortes de civis e a situação humanitária da população palestiniana, defendendo o respeito pelo Direito Internacional.

O Presidente angolano manifestou ainda preocupação com os efeitos das guerras sobre a segurança alimentar e energética mundial, particularmente devido às perturbações nas cadeias internacionais de abastecimento.

“A diplomacia é a única arma para unir”

No encerramento da sua intervenção, João Lourenço voltou à mensagem central do discurso.

Para o Presidente angolano, enquanto as armas são utilizadas para destruir vidas e infra-estruturas, a diplomacia deve servir para “unir, reparar, construir e salvar vidas, povos, nações e a Humanidade”.

João Lourenço defendeu, assim, o reforço das Nações Unidas como principal espaço de diálogo internacional e apelou aos líderes mundiais para substituírem a confrontação pelo diálogo, a competição pela cooperação e a força das armas pela força do Direito.

A intervenção terminou com um apelo à recuperação da confiança no sistema multilateral e ao fortalecimento das Nações Unidas para responder aos desafios contemporâneos.

Partilhar

Comentários (3)

Deixe o seu comentário

Os comentários são moderados antes de publicação.

Newsletter diária, às 7h